4.17.2007
Direito à literatura
A literatura não é uma experiência inofensiva, mas uma aventura que pode causar problemas psíquicos e morais, como acontece com a própria vida, da qual é imagem e transfiguração.
o livro pode ser um fator de pertubação e de risco.
A literatura não corrompe nem edifica ninguém, ela humaniza porque faz viver.
Algumas respostas demoram a aparecer. Mas elas chegam e tudo faz mais sentido, como nunca.
Antônio Cândido é um grandecíssimo filho da puta. Obrigada.
pu-ta-que-pa-riu.
gente, eu existo ainda no Sequella
::resmungos::
10.13.2006
Fechado ad infinitum
Quantas recaídas houveram?
Idas e vindas pra saber que tudo está acabado.
Foi assim aqui, e na minha vida também.
Pensar no último adeus não é fácil, não saberia (como de fato não sei) o que dizer.
Alguns arquivos ficarão aí o tempo que o BLOGGER permitir. Eu e meus vários pseudônimos ficaremos aí o tempo que for possível. Parar de escrever não, jamais.
Relembrar com carinhos as minhas mancadas, relembrar sem medo os meus erros, relembrar as minhas vontades não cumpridas, relembrar que apesar dos pesares a vida continua, dia após dia.
O blogue foi bom enquanto durou, ou nem tão bom assim. Aqui era a minha sala vazia que eu sempre pude gritar o que quisesse, puder fazer e falar coisas impensadas, pude causar raiva e comoção. Foi bom, e foi ruim, mas foi. Passou.
Consegui amigos por aqui, consegui brigas memoráveis, consegui lágrimas e risos. Tudo aqui, eu mesma ou eu fantasiada e maquiada, mas sempre eu. Porque nem sempre foi possível fazer/falar a coisa certa, tampouco ser sempre uma boa pessoa.
Enfim, boas estórias renderam. É o mínimo que posso dizer.
Obrigada, e até a próxima.
::resmungos::
10.12.2006
Pensei estar tudo bem, tranquilo, paz. Finalmente a paz.
Mentira, a loucura continua dentro de mim, eu eu enchi a cara e fiquei esperando ele aparecer no tal bar, fiquei imaginando coisas, fiquei mais uma vez 50 horas acordada, mandei uma mensagem pro celular dele que não existe mais, fiquei choramingando e enchendo o ouvido dos outros com as minhas lamurias, fiquei bêbada e acho que caí. O meu joelho hoje não dobra.
Tá tudo errado, muito errado, e eu vendo nos rostos estranhos o rosto dele. Eu dando uma de forte, mas só frangalhos por dentro. Mas tá tudo bem né. Depois de doze horas em cima da cama eu e a noite sozinhas ficaremos juntas, hoje menos bêbada, mais calma, menos loucura mais solidão.
A areia da ampulheta não pára, meu coração também não.
Hoje mais eu e você mais longe.
::resmungos::
10.11.2006
desculpem os acessos de viadagem.deve ser a falta de sono e o baixo nível de nicotina no sangue.
saudades do rapaz que faz meu coração pulsar forte. Asneiras. tôbemtôbemtôbemtôbem.
vou dormir.
::resmungos::
A ampulheta foi virada.
O relógio marcava 3:21 da manhã. Resquícios do champangne com groselha ou com licor de menta ou puro mesmo tomado no canudinho ecoavam na minha cabeça ainda.
Eu agarrada nas mãos dele, nos braços dele, minha cabeça no seu ombro, e a marca branca na pista passando rápido pela janela. O relógio ainda marcava 3:21.Subi até o terraço, vi o avião decolar e fui embora. Aperto.
Não vou esquecer dos seus dedos frouxos enquanto eu me agarrava a você como se fosse a minha coisa mais preciosa. Não vou esquecer seus olhos perdidos, enquanto eu te olhava como se fosse ficar sem te ver por anos. Frio, tudo estava frio. Mesmo com as brincadeiras no aeroporto, mesmo com nossos copos cheios. Tudo está vazio.O amor não voltou pra este peito.
Espero que as coisas mal resolvidas possam ser resolvidas. Para o bem ou para o mal do nosso relacionamento.
Não dormi hoje. Estou pregada com sono, ressaca, sem dinheiro e sem cigarros. Contas caindo de pára-quedas sobre minha cabeça. Deus nos acuda, samba do crioulo doido, dias ruins. Mas eu to bem. Sempre bem, aproveitando os dias frente à tevê, frente ao vazio da minha cabeça. Vazio meu coração... Você está longe. Tantas coisas podem acontecer. Ou não. Ou tudo continuar assim. Semgraça.
::resmungos::
10.10.2006
Porra (!) será que não dá pra passar por cima??
Como (?) se ele deitou na minha cama e disse que tinha ficado com outra, e sim, eu tive um ataque de ciúmes, mesmo ele não sendo mais meu namorado. Ele já saindo pela porta... eu disse 'fica'.
Começando a chorar eu bradei 'eu gosto de você porra'.
Como nunca gostei de ninguém. Bons tempos aqueles em que minha ambição maior era me manter solteira e livre de qualquer tipo de relação.
***
-ele ta indo embora só por um mês, pô.
-que nada, quando nós tivermos notícias dele, ele vai estar casado em com filhos.
-e a cacá vai continuar bêbada pelos bares.
***
-mas eu vou casar com ele...resta saber se ele vai querer casar comigo...
-cacá, só daqui uns 10 anos você vai fazer bem pra ele. Agora não.
***
-aproveita, viu?!
-você vai ficar bem?
-vou.
***
A verdade mesmo é que eu sempre fui uma violência gratuita, e ele a bandeirinha branca. Me entendia, me acalmava. Mas ele precisa partir, ele é melhor sem mim. Já eu vou ter que aprender a ser melhor sem ele.
-sentir saudades é bom viu, ruim é querer a outra pessoa longe.
Saudades pra mim é torturante. Principalmente quando não é recíproca. Querer o outro longe acalma, a raiva e o furor resignam. É cômodo, morno, quase tranqüilo. Forgotten.
::resmungos::
10.5.2006
E quando o sonho acaba?
A gente arranja um sonho novo ou fica com medo de sonhar?
E quando a dor não passa?
A gente toma dorflex, bebe cerveja, fica bêbado além da conta, vomita e dorme.
Eu não sei mais o que pensar, como agir, o que falar. Eu penso besteira, falo asneira e continua tudo torto.Porquê? ó deus porque? Eu queria te aproveitar o máximo, acordar e dormir com você, mas deu medo, e depois vai vir o desepero, você não mais vai estar aqui. Vai ter mais de três milquilômetros entre nós. O coração vai continuar vazio, e mais uma vez eu não soube o que fazer, como fazer e o que falar.
Vou ver você partindo de longe. Escondida. Desculpa, meu medo, esse que nem eu entendo me brecou. Medo de que? Não sei. Desculpa.
::resmungos::
10.4.2006
Well, ando como uma pessoa digna de suspirinhos. Vegetando no sofá em busca de alguma atração descente na tevê. Ando sem Internet, então eu percorro a vasta programação global e quando acabam os ensinamentos preciosos de Manuel Carlos, eu parto em busca de um filminho.
Ontem foi a vez de
Blow, que diga-se de passagem, fez valer a tarde de sono e a noite inteira sentada na frente da teVElisão. Pô, soy uma garota que gosta de ultra-violência, sexo, drogas e às vezes um filminho de amor tolo, porque até onde eu sei ainda sou mulher. Blow acaba de entrar pra lista dos filmes favoritos.
Fui criada a base de Pulp Fiction, meu irmão me iniciou ainda nova a arte da ultra-violência e da cocaína. E desde sempre ele me falava do tal filme. Blow mostra a história do trafica mais famoso dos EUA, a trajetória da coca percorrendo toda a hight society americana durante as décadas de 70 e 80, engraçado ver a cena em que toca Keeping came love e todos cafungam desesperadamente no pote de coca.
Ótimo também os óculos do Johnny Deep, os modelitos que variam dos 60 até o alto dos oitenta. Muita droga, a torto e direito. Vale pra descarregar os diabinhos, exorcizar a tristeza contida. E isso acaba de me lembrar um diálogo franco que eu tive com meu irmão mais velho ¿ o mesmo que me iniciou nesse mundo - sobre o meu futuro financeiro:
-Dé, eu tenho a grana do meu décimo terceiro, mas não sei o que fazer com ele...
-O que você tá pensando Carlão?
-Bom, ou eu compro uma máquina digital, ou eu guardo pra viajar pra recife no carná ou eu realmente guardo na poupança pra sobreviver caso fique sem emprego.
-Olha, tenho uma idéia melhor...
-Qual? ¿ eu pergunto com os olhinhos cheios de esperança
-Você compra de droga e depois trafica, o seu dinheiro vai triplicar!
-HAHAHAHAHAHAHAHA. Brigada Dé.
Pois é. Nessas horas eu penso seriamente em escutar os conselhos dele. Pena que todo traficante se fode hora ou outra.
Mais do mesmo: Táxi driver, Pulp Fiction- tempo de violência, Laranja Mecânica, Trainspotting, Réquiem para um sonho, Snatch- porcos e diamantes, Jogos e trapaças e dois canos fumegantes etc e tal.
::resmungos::
10.2.2006
Clube dos corações solitários
Em homenagem aos clichês. Pra falar que vocês me ajudam todos os dias. Pra dizer um muito obrigado por vocês continuarem ao meu lado mesmo que por vezes me achem ¿deveras hostil¿. Ando assim, pavio curto pra gente feita de plástico. Mas vocês são de verdade, e quero que cada dia seja mais um dia da gente junto. Pra poder acreditar que nossas bebedeiras irão salvar o mundo. Pra poder acreditar que todo dia é dia de dançar até de manhã. Pra poder acreditar que o mundo vale a pena mesmo continuando com o LonelyHeart.
-Mãe, me ensina a ser uma reta.
-Ã? Coméqié cá?
-Mãe, eu só queria poder começar e terminar alguma coisa na minha vida, cansei de deixar tudo pela metade...
-Viva, filhota, viva.
::resmungos::
9.28.2006
Keep going, don't stop, don't look back. johnnie walker
ela voltou. meu deus ela voltou. eu tentei me controlar mas ela me tomou mais uma vez, quanta dor, meu corpo se dobrou na cama, mas doia, saia sangue dos meus olhos, eu fervia e gritava. A loucura voltou.
Eu estava cambaleando, lá pelas tantas, copo quase vazio. Diria o quinto copo em pouco tempo. Muito pouco tempo. Até que ele veio e segurou meu braço:
-ei gatinha, vai aonde?
Olhei pra ele furiosa, e bradei o mais alto que pude:
-ME SOLTA!!!!!!!!!!!!!!!!! SAI DAQUI!!!!!!!!
Provavelmente foi o maior susto da vida inteira dele, ele me largou instantaneamente e eu pensei: vá em frente, não páre e nunca, nunca mesmo olhe pra trás. Jogando o copo por cima dos ombros, voltei pelas ruas escuras e molhadas pra casa. O copo se quebrou e ninguém entendeu. Nem eu. Eu não entendi nada. Mas a loucura voltou. Não por muito tempo é claro, mas ela me pegou de jeito.
E agora o que eu faço com essas unhas vermelhas aqui? Pensei em pegar a ascetona. Só continuei sentada. Pensei em pegar a tesoura e cortar meu cabelo. Só continuei sentada. Pensei em ligar para os amigos. Ainda assim continuei sentada. Pensei na Ana e como seria bom que ela estivesse aqui ainda, pra eu poder atravessar a rua, deitar no seu colo e ascender um cigarro. Ainda assim continuei sentada. Terminei de ler aquele maldito livro, e por isso eu senti que mesmo que quisesse nada eu poderia fazer mais. Continuar sentada era a única coisa que eu podia fazer. Nem uma lágrima, nem um movimento. Só aquela história do bandini e da Camilla rodeando minha cabeça. Fazia tempo que não ficava assim com o final de um livro. Ah doce Bandini, eu te entendo, como entendo....
::resmungos::
9.25.2006
Da adolescência tardia
Eu enfiei o dedo na goela. Nunca fui capaz disso, mas hoje depois de encher a cara de comida dei uma de bulêmica, ajoelhei em frente ao deus de louça coloquei dois dedos na goelae vômitei o sorvete e a sopa de abóbora e incrivelmente me senti bem.
Merda.
Nunca fui mulherzinha ligada a esse tipo de firulas, meu máximo de vaidade é pintar mensalmente a raiz branca do meu cabelo. Ponto.
Shit, shit, shit. 3 vezes shit. Não acredito que fiz isso e estou sendo capaz de pensar em fazer sempre, ou pelo menos de vez em quando.
A minha bulimia se resume às madrugadas de sábado, quando eu bêbada demais chego em casa e o teto gira rápido demais. Ia lá vômitava minha bebida e voltava pra cama. Bulimia boa essa que me livrava sempre da ressaca do dia seguinte.
Eu não me orgulho do que fiz hoje. Mas eu não tô bem. pelo menos, não estou bem com a comida, não estou bem com meu corpo cheio de curvas, e meus peitos que andam caindoe meu nariz que continua crescendo.
Tô na merda. Hoje não pelos amores perdidos, nem pela ressaca moral, mas por ser rasa e chegar aos vinte como a pior das adolescentes de quinze.
Quando tinha quinze, era segura de mim, muito mais que hoje. Lia o manifesto do partido comunista, era politicamente engajada e jurava que jamais sofreria por amor.
Eu era melhor, mais racional e mais feliz.
Essa é a pior conseqüencia em ser inconsequente.
Virei bulêmica. Só por hoje. amanhã eu volto ao meu normal.
::resmungos::
9.11.2006
Mais uma vez eu me vou.
Sabe, as coisas não podem assim simplesmente voltar e pronto. Convívio e carinho são coisas nossas, minha e desse blogue, mas é preciso melhorar. Sempre. Por isso mais uma pausa forçada. é tempo de arrumar as gavetas, ir ao cinema sozinha, pelar o cabelo o mais curto possível, pintar as unhas com o esmalte mais vermelho que existir. Pra voltar melhor, mais bonita e mais cheia de vida.
Estou com saudades, essas que doem e me tiram o sono, mas as coisas vão se acertar, pra melhor ou não. A vida segue, e hoje como mais uma segunda-feira de começo de nova vida eu paro mais uma vez. Mas o coração continua batendo, mesmo estando ele no pote de formol. Eu vou melhorar. Pode ter certeza, enquanto isso eu guardo minha tristeza e desilusão naquela gaveta que está pra ser arrumada.
Depois eu volto. Talvez e muito provavelmente não mais aqui. Enquanto isso procurem por mim
aqui.
::resmungos::
9.6.2006
Vou sentir saudades

ah como vou. Mas espero que aquele "até logo" de ontem dure pouco, bem pouquinho. Queridas, mandem somente boas notícias. Espero vocês na volta, igualzinha a quando disse tchau. Espero pelas rizadas e pelas broncas, espero pela boa companhia de vocês. Muito bom saber que tenho vocês duas aqui no meu coraçãozinho torto, tudo fruto de muita admiração, e eu ando um clichê piegas ambulante. Mas é tudo verdade, até a volta.
Love.
::resmungos::
9.5.2006
Dos cinco discos que mudaram a minha vida
Do tempo que eu invadia o quarto dos meus irmãos mais velhos em busca de um tempo que era só meu. Ligando o somzão bem alto, hora dançando escondida, hora fuçando as coisas deles. Essa peregrinação sempre me rendia novas descobertas, sempre uma nova aventura, como quando eu descobri as camisinhas que eu não sabia pra quê serviam, ou achava as revistas pornográficas deles e me matava de rir, ou ainda quando encontrei um pacotão de maconha numa das gavetas, e sabia que sobre aquilo lá eu não podia falar nem pensar nada. Nada mesmo.
5. Skank- Calango
Era uma das poucas coisas nacionais que eles tinham em casa, eu adorava Jackie Tequila e Te Ver, cantava as músicas de cabo a rabo, e achava lindo Te Ver, pensava sempre num amigo do meu irmão, dez anos mais velho que eu por quem eu nutria o maior e mais quentinho amor de todo o mundo. Eram assim as tardes de Skank.
4.Chico Science e Nação Zumbi- CSNZ
Era o disco preferido do meu irmão mais velho. O kiko sempre ia a Recife e trazia de lá coisas próprias da cultura mangue beat, como um chapéu de palha que era a última moda no mangue. Eu adorava aquele chapéu, adorava o Chico e o sotaque arrastado dele, devo confessar que na época não entendia metade das coisas que ele falava, mas de alguma forma ficou tudo guardadinho aqui dentro, e a melhor de todas pra mim é A Cidade, me desculpem vocês mas pra mim Nação sem Chico perdeu a graça. Lembro até hoje o dia que o Chico morreu naquele acidente de caro, naquela curva, e do murro no vidro do banheiro que o meu irmão deu quando soube da notícia.
3. Ramones- Greatest Hits Live
Era época de gostar de róque, tinha porque tinha que usar calças folgadas e tênis velhos, mas quando eu falava o que eu andava escutando em casa as pessoas não me entendiam. Era a época que a gente passava os fins de semana na loja de CD do shopping center, fumando escondido e andando com a maquiagem mais pesada possível. Então eu virei punk, o que era engraçado porque a maioria dos meus amigos gostava mesmo de metal. Eu gostava de punk usava camisetinhas que eu mesmo fabricava com o maior número possível de alfinetes, ilhoses e cadarços. Era o máximo. Pintava os olhos de preto, e tinha escrito Ramones nos tênis. E escutava mesmo, era interessada, depois vieram Dead Kennedys e Cramps só pra garantir que eu não era poser. Eu encabeçava mesmo a estória.
2. Jamiroquai- Space Cowboy Single
Esse CD era um que sempre me chamava atenção, porque a capa era a mais ousada que eu podia imaginar na vida. Na frente um bek pra ser bolado, a trás o bek prontinho. Era ousadia demais, eu tinha que ouvir aquele som. Aí já viu né, Jay Kay é um animal multi instrumentalista, faz tudo sozinho e fica perfeito. Eu dançava horrores, e foi daí que o accid jazz produzido pelo colecionador de carros virou um dos meus sons preferidos até hoje.
1.New Order- The best of
Simplesmente eu me apaixonei. Não tinha por que. Eu não sabia nada da história dos caras, nem desconfiava da existência do Joy Division, eu queria música pra dançar. Eu tinha dez anos. E naquelas tardes de descobertas e fiz a maior e melhor descoberta do mundo todo. Aquele disquinho virou a maior das minhas paixões, e desde então passei poucos dias da minha vida sem dançar e vibrar com o som dos rapazes. De longe é a banda que eu mais gosto na vida, e só depois de velha pude entender tudo que eles diziam nas letras tristes que invariavelmente falavam de amor.
Muitas outras coisas vieram, mas esses discos foram a minha largada musical. Desses cds, todos continuam na minha pilha, menos o Skank que se perdeu no tempo, apesar d'eu achar o disco novo dos rapazes muito interessante, muito mesmo. Acho que vou providenciar. Nessa época de mp3 eu ainda gosto muito de cdzinhos empilhados no meu quarto. Mas isso fica pro próximo capítulo.
::resmungos::
9.4.2006
Tenho que parar com esses textos, sérios... serinhos demais, isso que dá beber vinho bom e argentino. Eu ando serinha, essa é a boa verdade. Eu sou um sorrisinho assim de lábios cerrados. Nada de mostrar os dentes ham!
Ando tranquila, respeitando meu corpinho que não nasceu para ser junkie, respeitando minha alma, só o coração que não anda obedecendo, mal-criado esse garoto, quase um dirty boy... Meu coração me prega peças capazes de assustar a mim mesma.
Logo, logo virá uma bomba, de proporções atômicas, abalar as estruturas do roqué dessa cidade. Depois falo mais. See yah!
::resmungos::
9.2.2006
Dos segredos da vida.
Sexta-feira, primeiro dia de setembro. Fim do mês do desgosto. Finalmente. Depois daquela noite de sexo feito dentro do armário, acordando com o telefonema dele, me enchendo de alegria. Alegria por ele Ter se lembrado minimamente de mim, apesar de não saber ao certo porque ele me ligava, se por pena ou se porque acordara pensando em mim. Continuei na cama por mais uma hora, pensando nele, pensando naquela noite que fora só nossa, apesar de Ter feito ele triste em certo momento. Pensando no nosso sexo perfeito, doce e visceral, dentro do armário, em pé, ou na nossa cama.
Aquelas asas de anjo que tinha dado a ele no último aniversário estavam cheias de pó, não havia mais o poster na porta do quarto, muito menos fotos recentes nossas naquele mural, outro presente de aniversário. Presentes que eu sonhava que fossem habitar nossa casa um dia, pensava eu, serem parte integrante do nosso amor embaladinho numa casa só nossa, com cds empilhados, fotos e cartazes pelas paredes, uma cama kingsike, e paredes pintadas. Quem sabe um dia não vai ser verdade.
Por enquanto nós continuamos assim, longe e perto. E em mais esse dia vagabundo, uma Sexta-feira vagabunda eu passei o dia sonhando com ele, sentindo o cheiro dele, lembrando dele perto e dentro de mim, pensando se de fato era isso que eu queria pro resto dos meus dias. Logo agora que eu tatuei ele nas minhas costas, sem meias palavras, nem meias verdades, a verdade dele esculpida em mim, Amo, logo existo. Sem pressão, muito menos cobrança, queria só eternizar ele no meu corpo, vai comigo pro caixão, e ponto.
Saudades, muitas. Essas saudades são de felicidade abafada sim, felicidade que eu sinto quando ele se aproxima e planta um sorriso no meu rosto, felicidade em ouvir as palavras doces dele, em ouvir o dia dele, em sentir os lábios de veludo dele, felicidades em tê-lo comigo naquela cama, entregue, os dois. Amo, logo existo. Sem amor nada vale a pena, e mesmo que sinta dor agora, existo unicamente por conta desse amor, o amor pelo homem que me ensinou a amar.
E assim os segredos da vida se revelam, numa noite vagabunda de Sexta-feira sem dinheiro nem ao menos pro maço de cigarros, eu e a família jantando e se embebedando de vinho bom e argentino. Todos sentados juntos, depois de mais uma semana de trabalho, enchendo mais uma taça, conversando sobre gente mal educada e tacanha, sobre como o mundo é feio lá fora. E eu me sentindo protegida aqui dentro dessa sala, escutando Charles Aznavour seguido de Jamiroquai e mais uma moça cantando um Jazz, isso sem contar a tarde inteira de Bandini lido ao som de Cat Power.
Eu lembrando das palavras dele ao me falar que queria só uma vida simples. Eu contemplando minha vida simples, e sabendo que a resposta para todos os problemas estavam aqui nessa sala, com meus tios, minha mãe e algumas taças de vinho. Eu podendo ser somente eu, sem mais milongas, sem precisar ser fake, eu com as coisas mais importantes da minha vida, uma nova tatuagem e copos de vinho. Uma vida simples, respeitando os limites do meu corpo, sentindo o que a minha alma precisava, sentindo que só é preciso amor para se viver. Amor vindo da família reunida numa noite de Sexta, amor escondido no peito pelo homem que me faz brilhar, e mais uma taça de vinho bom porque eu ainda sou de carne e osso.
A noite de Sexta seguiu simples e sem espasmos. Acabei em uma mesa de bar, com amigos queridos, conversas amenas. Tomei mais alguns goles de cerveja, sorri mais um pouco e cansada me despedi dos amigos indo pra casa sozinha, andando apressadamente pelas ruas vazias e escuras. E amanhã não haverá ressaca moral, nem dor de cabeça, nem sentimento de perda. Amanhã irá fazer um dia de sol, um dia feliz, mais um dia pra ser vivido com calma, sem pressa, assim simples, porque é preciso desacelerar e manter a estabilidade na curva, sentindo que o caminho é longo mas só vale a pena ser vivido da melhor forma, acreditando nas coisas sinceras e boas da vida. Sabendo que todas as verdades estão perto de nós, basta somente aceitá-las da melhor forma.
Amanhã eu vou acordar da melhor forma, com saudades de felicidade abafada de você. Porque pra mim é pra sempre. E eu não sou perfeita, mas pelo amor que você me ensinou enxergar nas coisas eu espero ser uma pessoa melhor. E depois de aprendidos, os segredos da vida são feitos pra serem guardados e lembrados nas horas em que nada parece Ter resposta. Obrigada mais uma vez meu menino.
::resmungos::
8.31.2006
Naquele tarde vazia, que o telefone não tocou, que eu apaguei todas as luzes e sentei ao lado da geladeira. Matei as últimas cervejas e não fui mais feliz por isso.
Cansei, das cervejas. Encharquei. Só porque você me faz querer ser uma pessoa melhor.
::resmungos::
8.30.2006
Conversas Mulherescas
essas tardes vagabundas tem rendido sempre momentos que valem a pena de serem vividos. Assim como a tarde de ontem quando eu e dona mamãe sentadas em volta do baú de fotos discorríamos sobre o que então era o amor. Ela dizia não saber que os então 10 meses, que ela tinha passado com o então ex namorado andando nas nuvens, diziam se tratar de amor. Amor que fez ela chorar depois de casada, amor que faz ela guardar o colar de trinta anos atrás, amor que faz ela saber que a vida não é só vivida de acordo com a razão, amor que faz ela querer saber de mínimos resquicios dele na cidade distante. Amor é assim, só um na vida.
Foi assim uma tarde gostosa, dessas que a gente não tem todos os dias, e por isso mesmo valem tanto a pena. Piegas. Sim, bastante. Mas fazer o que se eu tenho uma mãe que também acredita no amor.
***
Eu estava trabalhando. Nas minhas redações repetitivas, aluninhos tentando discorrer sobre "a liberdade humana", patati patatá. Um horror, os mesmos erros, as mesmas coisas escritas, os mesmos equívocos. Não estava com ânimo. Nenhum. Uma msg no celular, quase que uma luz no fim do túnel:
-bora tomar uma cerveja básica?
Não resisti. Cai de baixo do chuveiro e fui encontrar a então amiga, que aqui terá o nome preservado, já que conversas mulherescas são um tanto comprometedoras. Eu já sou deveras comprometida, entonces não muda muito minha situação deflorada.
Depois de chopinhos e trivialidades nada comprometedoras, como dia-a-dia, trabalho, namoricos, dores de cotovelo e afins, fomos cair no
"páre de tomar a pílula". Salve salve Odair José, que bem antes já manjava o que muito marmanjo não é capaz de farejar: o diabo do remédio corta a libido. Isso mesmo, deixa a mulher broxa. Remedinho destruidor de lares, e o querido do titio Odair já sacava a parada, não tinha nada de moral cristã martelando não, era tesão, sedução, mulher gozando. Querido Odair, nós te amamos.
Entre uma risada e outra, nós duas confirmávamos a tese da "pílula destruidora de lares":
cê.ah.cê.ah: é uma merda pílula, além de cortar a libido, a lubrificação inexiste. é um inferno aquilo...
id.suprimido: porra falta tesão até pro beijo...
cê.ah.cê.ah: lógico (!!) é tudo hormônio, você não produz mais hormônio, corta o barato de ser mulher e sentir tesão...
id.suprimido: o foda é achar que tá grávida toda semana...
é. realmente esse é o pior problema de todos. Esse não é um blogue politicamente correto, e nós com namorados fixos (pelo menos há um tempo atrás eu tinha, agora simplesmente não faço mais sexo...ainda me resta um pingo de dignidade, sexo com a pessoa errada é furada na certa. não obrigada.) não fazemos sexo com camisinha. Sim eu sei de tudo, não precisa falar, mas ambos são limpinhos, não tem bizarrices na pichilinha nem no dito cujo então pra quê o saco plástico? Aquilo lá tira o cheiro do sexo, a pausa pra colocação é broxante, além de outros por menores que não serão ditos aqui.
acho que eu tomei pílula por uns cinco anos. Nunca soube muito bem o que era tesão. Sem ela minha vida mudou. E não quero a maldita de volta. Gosto muito dos meus hormônios, principalmente porque eles não são traiçoeiros. Eles só funcionam com a pessoa certa.
::resmungos::
8.28.2006
Das drogas e do amor
Sabe, um dia minha mãe descobriu que eu andava me drogando. Logo quando eu tinha resolvido que não ia usar mais o volátil maldito, logo depois daquela bad trip que me fez colocar até a tripa do dedão do pé pra fora. Eu menti um monte, eu chorei um monte, eu me senti o pior bixinho vivo sob a terra. Eu não ia mais me drogar. Seguiram-se 4 meses de clausura, estudando pra minha primeira recuperação no colégio, chorando baixinho todos os dias no quarto, e vendo o Supla na tevê todos os dias antes de dormir. Tá vendo o que dá se drogar... você passa a gostar do Supla, eu fiquei sequelada, e continuo gostando dele.
Mas depois disso eu não me droguei mais, pelo menos não assim consciente, indo atrás de droguinhas baratas e viagens estranhas. Usei sim umas drogas, aquelas de verdade, colocadas em fileira e cheiradas até o talo. Usei e depois não usei mais. E pronto. Mas minha mãe demorou um tempão pra confiar em mim de novo. Passaram-se os meses, os dias, os abraços de manhã, ou o beijo antes de dormir. Era tudo diferente, ela não confiava em mim, e toda vez que eu saia ela desconfiava fazia um interrogatório. E ainda pequena eu aprendi a nunca, mas nunca mesmo mentir, e caso eu mentisse ela sacava na hora só de olhar bem no fundinho dos meus olhos.
Assim foi. Meus dias se dedicaram a recuperar a confiança daquela que é o amor da minha vida. Mamãe. Ela sempre foi minha melhor amiga, confidente e daquelas de tomar cerveja e comer pipoca na frente da tevê. Pronto, depois de um ano, depois de mostrar que eu tinha errado sim, mas mostrado que finalmente eu sabia a diferença entre o certo e o errado ela voltou a me receber no seu colo e me dar carinhos como antigamente. Foi difícil, eu chorei, doeu, me senti a banda podre do mundo, vi a merda da minha vidinha de adolescente besta e inconseqüente, mas eu mudei e provei o meu amor pra ela, mudando a forma de viver, eu queria ser uma pessoa melhor. Dessa vez eu consegui.
***
Eu cresci mais um pouco, sai do colo da minha mãe, e arranjei um grande amor. Na verdade mesmo, foi o amor que me laçou, assim pelo braço, e eu só me deixei levar. Dessa vez eu acertei me deixando levar. Mas eu comecei a errar, comecei a me drogar mais uma vez, comecei a me drogar conhecendo novas pessoas e esquecendo o amor-perfeito que eu tinha em casa, comecei a dar lugar à vaidade, a cocaína corroendo minhas narinas e eu esquecendo quem de verdade eu era, esquecendo minha vida, esquecendo o que de fato existia dentro de mim.
Aí o amor-perfeito murchou e se foi. Eu percebi que tudo estava errado, logo eu que pensava já saber a diferença entre certo e errado... Fiquei louca, me debatendo, sofrendo com a falta da droga, chorando, cortando ao meio meu coração. Até que o meu pequenino coração torto foi parar fora de mim num vidro cheio de formol. Agora ele vive longe do meu peito, eu estou esperando o dia que coloquem ele no lugar de novo, e isso só pode ser feito por uma única pessoa. Caso contrário eu vou continuar viva sim. Mas sem ele no meu peito.
Agora eu vivo numa clínica de recuperação. Tentando provar meu amor ao homem que eu amo. Quem sabe um dia ele não me fala que a dor diminuiu. Eu finalmente depois de várias bad trips decidi que não quero mais a maldita droga que bate no ego. Traiçoeira vaidade. Eu quero ser eu, e sem ele isso é impossível. Eu mais uma vez aprendi o certo e o errado, mas agora é a época de desintoxicar. E eu vou continuar esperando.
::resmungos::
8.27.2006
Eu aqui mais uma vez. Sabe como é né, nós sem endereço próprio sempre voltamos pro boteco que nos acolhe minimamente. Eu ando com saudades, que não é felicidade abafada, é saudades daquilo que passou e não volta, são surtos de lembranças, boas lembranças. Essas saudades machucam, mas eu não consigo deixar de acordar depois das poucas horas de sono forçado e não pensar em você.
Ando com uma dor nos ombros que não passa nunca. Continuo bebendo, um pouquinho todos os dias. E isso não é legal, e eu não fico mais bêbada. Eu fico com cara de bunda e muda. Pálpebras pesando como se tivesse fumado pencas e pencas da erva maldita. Sono, muito sono, mas não consigo dormir, fico rolando pra lá e pra cá, lembranças me machucando. Me trazendo essa saudade doída.
Ando sentindo seu cheiro quando o vento bate no meu rosto, ando vendo seu rosto na cara das pessoas, e busco fugir, mas é pior porque na seqüência me dá um vazio e me faz pensar que merda ando fazendo da minha vida. Não quero mais ninguém, sem você eu prefiro ficar sozinha, dura e seca. Não quero mais te ver com essas Barbies ensaiadas e sem alma. Não quero mais essa dor, mas ela não é plausível de explicação, nem passa com o comprimido de Dorflex, nem com a cerveja, nem com os amigos, nem com nada, a dorzinha fina do meu peito só passa, quando vejo teu sorriso, nossas conversas e seu corpo branco estirado nú na cama. Só passa quando vejo algumas letrinhas jogadas no meu e-mail de manhã.
Não vai passar, eu não quero que passe, já tinha te dito que ia te amar até doer, e vai ser assim até o fim dos dias. Com você ou não. Eu sei que amor contido existe, com a minha mãe aconteceu, de repente comigo acontece também. Eu vou guardar isso aqui dentro, vou guardar os e-mails, as cartas e as fotos. As músicas, os cheiros, sua pele tá aqui guardada comigo. E eu não estou triste, eu só estou com saudades. Amo você, assim, dito baixinho no seu ouvido quando você resolveu vir conversar comigo naquele balcão. Beber minha cerveja e fumar meus cigarros. Vou esperar seu telefonema, fica comigo um dia, deixa eu te dar um filho, eu quero dividir meu corpo e meu amor com você. Só com você.
Boa semana meu menino.
::resmungos::